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CERCAS ELÉTRICAS: CUIDADOS NA HORA DE COMPRAR E INSTALAR

Cercas clandestinas, com altura abaixo do permitido, perto de tubulações de gás, ligadas na tomada, improviso até num clube de engenheiros. As cercas elétricas estão espalhadas por toda parte.

O Fantástico fez uma blitz em quatro estados brasileiros, com os fiscais do CREA, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Ergonomia. São muitas irregularidades.

Vamos ver o que acontece com quem toma um choque numa cerca improvisada. Neste teste em laboratório, a descarga é baixa e não oferece riscos. Mesmo assim, o músculo contrai e a mão se fecha.

“A mão está dobrando, não consigo abrir, estou forçando pra abrir, não consigo, começo a sentir um pouco de dor, o nervo aqui está soltando”, conta Ricardo Pereira, técnico do laboratório.

“Parece um choque inofensivo, mas você perde totalmente a reação da mão, do poder de você abrir e fechar a mão. Soltar, por exemplo, de um fio, você não consegue”, diz ele.

Mas o que acontece quando esse choque ocorre de verdade, numa cerca ligada direto na tomada? Piracicaba, interior de São Paulo. Daniel e o amigo Diego foram pedir manga à dona de uma casa. Encostaram na cerca e receberam a descarga. Diego morreu na hora. Daniel teve sorte.

“Na hora que eu encostei, ela puxou eu mais, depois eu não conseguia se soltar, nem falar”, lembra Daniel.

Sete Lagoas, Minas Gerais. No campinho de futebol, Clebert, de 5 anos, brincava com os amigos. A bola caiu atrás da cerca e ele foi buscar. Não sabia que o arame dava choque.

“No que a bola rolou, que ele correu e pôs a mão, ele caiu. Morreu. E peguei ele”, declara Cristiane Martins de Freitas, mãe do Clebert.

Várzea Grande, Mato Grosso. O dono de um condomínio instalou uma cerca elétrica por conta própria. Esticou o arame e ligou na tomada. Semana passada, Kauã, de 6 anos, escorregou e se apoiou na cerca. O choque foi mortal.

Mas qual a diferença entre uma cerca profissional e uma improvisada?

Na profissional, a cada fração de segundo, um aparelho gera pulsos elétricos. Se alguém encosta, recebe uma descarga rápida e se solta. Na cerca improvisada, a energia é constante. Quem encosta no fio fica preso e pode morrer.

“Essa corrente vai passando, vai passando e a queimadura vai aumentando além de causar obviamente o estrago cardiovascular”, explica Michel Antônio Moretti, cardiologista, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Não existe uma lei federal sobre cercas elétricas. A Câmara dos Deputados, em Brasília, discute um projeto para padronizar altura mínima, voltagem, tipo de choque e placas de sinalização.

Enquanto a lei não sai, na maioria das capitais pesquisadas pelo Fantástico, valem as regras da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

No Rio, os fiscais encontraram esta semana cercas perto de fios alta tensão. Uma outra bem ao lado de uma tubulação de gás. O CREA disse que vai notificar os proprietários.

Na Região Metropolitana de Goiânia, o fiscal do CREA encontrou cercas elétricas sem placas de alerta. Isoladores danificados. E fios abaixo da altura mínima exigida.

Em Vitória, quem fiscaliza é a prefeitura. As infrações mais comuns: cercas abaixo da altura permitida e perto de objetos metálicos, como arame farpado e postes de energia.

Em Campo Grande, encontramos empresas que fabricam e instalam o equipamento, sem a autorização do CREA. Nos fundos de uma casa, este homem prepara hastes de alumínio para receber os fios elétricos.

“Eu vendo no varejo e no atacado e fabrico do jeito que o cliente pedir”, conta o fabricante, sendo gravado por uma câmera escondida.

Em uma loja, nosso produtor pede um orçamento para instalação da cerca num muro mais baixo do que o permitido. O vendedor explica como escapar da fiscalização: “Tem que ser no final de semana para não ter problema com a fiscalização”, revela.

Também pedimos um orçamento numa fábrica de portões. Ela não tem autorização para instalar cercas elétricas.

“A cerca completa, com seis isoladores vai ficar R$1.300”, diz uma mulher.

Depois das gravações, fiscais visitaram as três firmas e constaram que eles não têm um responsável técnico licenciado pelo CREA. O dono da loja não quis dar entrevista. A funcionária da fábrica de portões disse, aos fiscais, que a instalação de cercas é terceirizada. O dono da fábrica de hastes de alumínio disse que vai contratar um profissional habilitado.

“Caso não se regularizem, vão ser lavrados autos de infração onde vão sofrer um processo onde vão ser multados”, explica gerente de fiscalização do CREA, Gamem Tepcharani, gerente de fiscalização do CREA.

Em um clube em Campo Grande, a cerca elétrica foi feita com arame farpado, aquele usado no campo para cercar bois, os técnicos em segurança condenam esse tipo de instalação porque a pessoa pode ficar presa nos ganchos. O que chama atenção é que o local pertence a uma Associação de Engenheiros e Arquitetos.

O presidente do clube afirma que a cerca não está ligada na rede elétrica e que ela serve apenas para espantar os ladrões.

“Fica ruim para a associação, tanto é que nós estamos pretendendo o mais breve possível corrigir”, diz Valter Almeida da Silva, presidente do clube.

A lei federal sobre as cercas elétricas só começa há valer 90 dias depois que for publicada. Não há uma previsão de quando isto deve acontecer.

RECOMENDAÇÕES

– Contratar empresas especifica onde conste em seu CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas, o cliente deve consultar a atividade e buscar uma empresa estabelecida;
– Exigir a ART – Anotação de Responsabilidade Técnica, assinada pelo responsável técnico devidamente credencia no CREA;
– Exigir acervo técnico da empresa onde conste a instalação de cercas elétricas.

(Fonte: Programa Fantástico – Exibido em 11/04/2010 – Rede Globo)

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Sobre João Ricardo Correia

Jornalista, nascido em 1972 na cidade de Natal(RN). Formado em Comunicação Social pela UFRN. Radialista. Experiências profissionais em rádio, jornais, TV, informativos virtuais e assessorias de imprensa, de empresas públicas e privadas, e também de políticos. Editor geral do Portal Companhia da Notícia.
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