CONSULTOR INTERNACIONAL ALERTA SOBRE QUALIDADE DA NOTÍCIA QUE CONSUMIMOS

MEDO DA NOTÍCIA

Por Ígor de Mesquita Pípolo – Consultor internacional em segurança

Em geral, absorvemos as notícias pelos meios mais diretos de comunicação de massa e, sem dúvida, a televisão tem um grande papel na disseminação das informações, reservando também uma boa parte ao rádio, aos jornais de circulação massiva, as redes sociais e pela internet.

No meio popular, é comum ouvirmos a frase: “Notícia ruim corre rápido”. No meu entender, essa frase está associada ao fato de que notícia ruim é o que faz vender o jornal, quando estampa uma manchete de uma catástrofe ou atrair o telespectador a um telejornal, exibindo uma matéria com imagens que causam grande comoção social.

Essa prática jornalística de dar destaque a fatos que exploram o lado negativo, catastrófico, polêmico, controverso, sensacionalista é disseminada em quase todo mundo, mas não quero generalizar minha observação ao ponto de ser injusto com a imprensa e negar o seu grande e importante papel em favor da sociedade.

Nossa atenção deve ser voltada para a imprensa que cobre a pauta da segurança pública, envolvendo especificamente as polícias e o sistema penitenciário. Como leitores, apesar de alguns fatos gerarem reflexos em nossas vidas, e em razão de muitas vezes não termos o domínio de todos os assuntos com maior amplitude, tais como; política, economia, meio ambiente, esporte, segurança, etc, compramos as notícias formatadas e fazemos delas a nossa verdade. Eis aqui a grande responsabilidade de um profissional que a produz, que deve ser capaz de evidenciar todos os lados da notícia, propiciando ao leitor um conhecimento capaz de levá-lo a um entendimento mais próximo da realidade.

Quantas vezes foi divulgada a premiação dos militares que tiveram ações exemplares e que servem de exemplo e estímulo aos seus pares? Se foi, teve o mesmo destaque de uma notícia ruim?! A manchete mostra o número de bandidos mortos (quase como vítimas), mas o número de policiais feridos e mortos não tem o mesmo espaço.

Sabemos todos os defeitos das forças policiais, pois as matérias que são pautadas possuem esse foco. É aqui que mora o perigo! Cabe a nós, sociedade civil organizada, confiar nas instituições e buscar entender o que está, de fato, sendo feito no seu bairro, na sua cidade. Esse é um primeiro passo para ver que há uma falta de sintonia entre a notícia, a sensação de segurança e as estatísticas.

Sobre estatísticas, os números de hoje não podem ser comparados com os de anos anteriores de forma direta, pois constantemente os ajustes e modernizações feitos nas polícias estão permitindo o acesso e a facilidade para se fazer registro de ocorrências, que a exemplo disso algumas podem ser feitas até pela internet.

De tanto ver notícias ruins, as pessoas vão criando medo de tudo, muitas vezes desenvolvem até síndromes que as impedem de sair de casa. Para se ter uma ideia do que estou falando, basta assistir aos telejornais locais diários, muito deles são fontes sinistras de informações.

O pior disso tudo é a glamorização que se dá por parte da imprensa as facções criminosas, fazendo-os se sentirem poderosos e membros de um grupo importante. Muito errado! Apenas para que se fique claro, o número de criminosos de alta periculosidade no Brasil é de menos de 2% da população carcerária.

Minha dica para tanto, é para que não compremos essas notícias no formato em que elas estão sendo mostradas, mas que façamos um aprofundamento dos assuntos, buscando entender melhor o que de fato está ocorrendo em relação a Segurança de onde vivemos. Às vezes, o caminho mais curto entre dois pontos pode não ser uma reta!