Dominguinhos: há três anos, Brasil dava adeus a grande músico nordestino

DOMINGUINHOS
Waldir Barroso

Tive o prazer de ver José Domingos de Morais, o Dominguinhos, pela primeira vez, no extinto Circo da Cultura, na Praça Augusto Leite, em Natal, quando o cantor Fagner ensaiava para o show que iria fazer à noite. Estava com o seu pessoal e foi convidado por Fagner para fazer parte do evento. Fui com o amigo Flamínio Campelo (falecido precocemente em 1981) e a minha irmã. Fizeram um show inesquecível. Desse dia em diante, me tornei fã da dupla, procurando sempre ir aos shows em Natal ou no interior do Estado.

Quis o destino que, anos depois, eu reencontrasse Dominguinhos, na Assembleia Cultural, há cerca de cinco anos atrás. Estávamos eu, minha esposa e meu filho. Coloquei o meu garoto ao lado do mestre e quando ele começou a tocar, o meu filho pôs as mãos nos ouvidos e Dominguinhos, diante da sua simplicidade, só fazia sorrir. Peguei Juninho e perguntei: o que foi filho, não gostou? Ele, de pronto, respondeu: Não! É só um velho com uma sanfona. Achei bem interessante, a colocação dele.

Foi a última vez que tive o prazer de estar ao lado de Dominguinhos e nunca mais o vi.

O velho estava doente, pois enfrentava um câncer que teimava em perturbá-lo e, no seu último show, na terra do Rei Luis Gonzaga, passou mal e, coincidentemente, ficou internado no Hospital Santa Joana, no Recife, onde o Rei do Baião, esteve internado, numa árdua batalha contra um câncer na próstata, chegando a deixar o plano terreno no dia 02 de agosto de 1989.

Dominguinhos, após ser transferido para o Hospital Sírio-Libanês, faleceu no dia 23 de julho de 2013, em São Paulo.

Nos deixou uma lacuna muito grande, este talento inigualável, mas tenho a certeza, de que Deus o colocou ao lado dos grandes nomes da nossa música e, hoje ao lado de Gonzaga, estão revivendo a velha parceria com as  músicas que alegraram milhões de brasileiros durante muitas gerações. O céu agradeceu a chegada de um morador tão ilustre.

Dominguinhos, você faz parte da nossa história e agora desfila na calçada da fama que existe no céu, ao lado de Deus e muitos imortais que fizeram parte da nossa vida.

Um grande beijo.

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