EXCLUSIVO: FOTOS E CARTA DEIXADAS PELO MATADOR QUE PROTAGONIZOU UM DIA DE FÚRIA EM SÃO GONÇALO DO AMARANTE

2 abr by João Ricardo Correia

EXCLUSIVO: FOTOS E CARTA DEIXADAS PELO MATADOR QUE PROTAGONIZOU UM DIA DE FÚRIA EM SÃO GONÇALO DO AMARANTE

Corpo de Genildo, protagonista do dia de fúria no Rio Grande do Norte

Começo hoje minha participação no Portal Companhia da Notícia, relembrando um fato que chocou o Rio Grande do Norte, quando um ex-militar do Exército matou 14 pessoas e morreu no confronto com policiais. Com exclusividade, publicamos fotografias e a carta deixada por Genildo Ferreira de França, o ‘Neguinho de Zé Ferreira’, que também passou a ser chamado de ‘Rambo’.

Genildo Ferreira de França nasceu em Santo Antônio dos Barreiros, hoje  Santo Antônio do Potengi, um tranquilo distrito da cidade de São Gonçalo do Amarante, distante 11 quilômetros de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Ele era conhecido como “Neguinho de Zé Ferreira”. Por volta de 1990, ele serviu ao Exército, onde destacou-se como atirador. Era considerado um bom rapaz,  casado e tido como um exemplar pai de família, até sofrer um grande trauma, quando seu primeiro filho, um garotinho de 4 anos, morreu atropelado.

Revólver com silenciador apreendido com Genildo pelos policiais

Após este episódio, Genildo passou a apresentar sinais de perturbação. Comentava entre conhecidos que um dia iria se vingar do motorista atropelador. A primeira vítima foi sua mulher.  Um dia, o já ex-militar afirmou que Mônica, para tentar forçar uma separação, dizia a amigos que teria o flagrado na cama com outro homem. A partir de então, Genildo passou a culpar parentes de sua mulher, alegando que estariam ‘espalhando’ que ele era homossexual e traficante. Logo a boataria correu solta na pequena comunidade de 5.000 habitantes. Por onde passava, Genildo era apontado, escutava ‘piadas’ e sua ira foi aumentando. Estava montado o palco da desgraça.

Genildo começou a planejar os assassinatos em detalhes. Desejava exterminar, pelo menos, 20 pessoas, que ele acreditava serem as responsáveis pelas calúnias que estaria sofrendo. Resolveu comprar um revólver da marca Rossi, calibre 38, niquelado, equipado com silenciador. Além desta arma, ele tinha uma pistola da marca Taurus, no calibre 7,65 milímetros e muita munição.

Motorista que nem conhecia o matador também foi assassinado

Era noite de 21 para  22 de maio de 1997, quando Genildo começou sua vingança. Conforme o dia amanhecia, a polícia ia tomando conhecimento da dimensão da tragédia que se desenrolava, na medida que encontrava mais corpos. O Rio Grande do Norte acordou com a tragédia.

Na área do massacre, em certo momento, Genildo passou a levar como refém a sua própria filha, Gislaine, de apenas cinco anos. Ele deixou um rastro de sangue, que resultou em reportagens até no exterior.

Após aproximadamente 17 horas os policiais encurralaram Genildo num bananal, perto de uma cerâmica. Sem saída, ele mandou que Valdenice, uma adolescente que também estava na mira das suas armas. fugisse com sua filha. Depois, teria dado um tiro no próprio peito. Para as autoridades ele foi morto pela ação policial. Terminava, assim, um dia de fúria, com um total de 15 mortos.

Nossa reportagem teve acesso a várias fotografias em que mostram detalhes das perfurações de balas no corpo de Genildo, mas se reserva ao direito de não publicar.

Abaixo, a carta deixada pelo atirador, que ele pediu que fosse entregue ao repórter Jota Gomes, então comunicador da TV Ponta Negra. Genildo chega a pedir que Deus tome conta de sua alma.

 

ByJoão Ricardo Correia

Formado em Comunicação Social pela UFRN. Experiências profissionais em rádio, jornais, TV, informativos virtuais e assessorias de imprensa. Editor geral do Portal Companhia da Notícia.

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