Governo da modernidade ainda não conversa com suas prioridades

 

O consumo de energia elétrica no Rio Grande do Norte vem caindo muito antes do que o consumo de energia elétrica no Brasil como um todo, independentemente das oscilações regionais para cima ou para baixo. Agora, que a recessão econômica faz com que o consumo residencial despenque uniformemente no país, é preciso que se reflita nas prioridades do governo estadual que se diz “muito técnico” e “muito moderno”.

Com o dólar batendo na casa dos R$ 3,70, é claro que o turismo do RN deve ser visto entre as prioridades do governo Robinson. Isso implica, no entanto, em intervenções na infraestrutura, na divulgação do destino e na criação de novos produtos além do sol e do mar. Até aqui, nenhuma novidade. Com a arrecadação caindo e o dólar disparando, toda a pequena atividade exportadora deve ser estimulada em ações conjuntas de curtíssimo e médio prazo.

Quando se fala em melhorar as receitas com o turismo isto implica também em melhorar consideravelmente a segurança e o  transporte – coisas que até agora são peças de ficção, embora o governo Robinson insista em dizer o contrário no afã de manter uma agenda positiva a qualquer custo.

Mas a “modernidade” – se não for uma heresia mencionar essa palavra no contexto brasileiro – implica em duas coisas: reconhecer as dificuldade e buscar ações verdadeiramente integradas para solucioná-las. O governador deve reger essa orquestra com simplicidade e discretamente, deixando os resultados falarem por si.

Fora da cadeia do turismo, que  comporta mais de 50 segmentos de negócios, a crise hídrica e a perda contínua de ativos no campo impõem ao governo estadual uma interlocução mais efetiva com o agronegócio que lidera no campo da exportação.

Em julho, a Agrícola Famosa, um dos pesos pesados da exportação de frutas, abriu 1.100 novas vagas de trabalho à espera do início da safra de melão. No entanto, não se vê a mais tímida ação do governo local em estreitar a interlocução com um dos únicos segmentos que mais admitiu do que demitiu neste ano de recessão.

Preso a um calendário de ações idêntico ao de anos anteriores, com mudanças cosméticas, o secretário de Agricultura deste “técnico” governo Robinson ainda não deslanchou. Continua com a mesma insegurança de sempre, tateando num terreno desconhecido e sem demonstrar o mais pálido intenção de mudar.

Na esperança que uma articulação política que traga o hub para o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, mas sem as mínimas condições básicas que permitam supor que esta é uma vitória ganha, o Rio Grande do Norte continua lutando contra problemas conhecidos e, o que é pior, do mesmo jeito antigo.

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