JUSTIÇA CONDENA 23 POLICIAIS ENVOLVIDOS COM O CASO ‘CARANDIRU’ A 156 ANOS DE RECLUSÃO

Após prevalecer por 20 anos a sensação de que nada – ou muito pouco – aconteceria com os criminosos responsáveis pelo maior massacre da história do sistema penitenciário brasileiro, uma luz de justiça irrompe e parece ir desfazendo a densa nuvem de dúvidas quanto a responsabilização dos policiais militares acusados pela morte dos 111 presos custodiados na Casa de Detenção do Carandiru, episódio ocorrido em 1992.

Reprodução UOL

O julgamento dos PM’s acontece em blocos. Inicialmente, 26 deles foram levados à juri popular. Eles são acusados pela morte de 15 apenados. E , no início da madrugada de hoje (21), 23 dos 26 policiais militares acusados  foram condenados pelo Tribunal do Júri. O juiz José Augusto Nardy Marzagão, que presidiu o julgamento, fixou a pena em  em 156 anos de reclusão para cada um, em regime inicial fechado. Os réus podem recorrer em liberdade. Roberto Alberto da Silva, Eduardo Espósito e Maurício Marchese Rodrigues foram absolvidos.

O julgamento durou seis dias, após um jurado passou mal na noite do segundo dia e os trabalhos ficaram suspensos por um dia e meio.

O Massacre do Carandiru é conhecido como o maior massacre do sistema penitenciário brasileiro e ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos e 87 ficaram feridos durante a invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9 do Presídio do Carandiru.

O único envolvido cujo julgamento chegou ao final, coronel Ubiratan Guimarães, foi inocentado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em fevereiro de 2006. Em 2001, ele foi condenado a 632 anos de prisão pela morte de 102 dos 111 prisioneiros vítimas na invasão do complexo penitenciário do Carandiru. O militar foi assassinado em setembro de 2006, em crime do qual a namorada foi acusada e depois absolvida (em novembro do ano passado), por falta de provas.

 

Com informações da Agência Brasil