18 abr by João Ricardo Correia Tags:, , , , ,

Brasileiros precisam continuar mudando de atitude

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Joaquim Pinheiro

Mesmo ainda descrente de uma retomada da normalidade política e do início do processo de recuperação econômica a curto prazo, o sentimento de significativa parcela da população brasileira é de alívio após a votação vitoriosa pela admissibilidade do processo de afastamento da presidente da República, Dilma Rousseff, nesse histórico 17 de abril de 2016.

Foi um dia tenso para defensores do impeachment e também para acólitos do governo petista que aprenderam se apegar ao Poder e não quer deixá-lo de maneira nenhuma. O fato positivo a se registrar, além da vitória da democracia, evidentemente, é que não houve incidentes graves, a não ser registros de interrupção de rodovias em pontos isolados feitas pela brigada vermelha do PT denominada MST, uma “desorganização” clandestina patrocinada com dinheiro público, pelo governo do PT.

Existem queixas nas redes sociais sobre o comportamento dos parlamentares durante a votação do impeachment, mas no meu entendimento tudo ocorreu centro do esperado,   aquela é a representação popular que se tem e que o povo merece, já que nada mais é do que o resultado do eleitor  que vende o voto. Reclamar de quê? Os trabalhos foram conduzidos com tranquilidade pelo presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, que não obstante as denúncias contra ele e as agressões que sofreu, conduziu os trabalhos com competência e serenidade. Não se pode negar as virtudes de ninguém, mesmo que os defeitos superem os pontos positivos de qualquer ser humano. Eduardo Cunha é o cara, pois mesmo fragilizado por denúncias de corrupção está sendo fundamental durante todo esse processo.

Acredito, entretanto, que mesmo diante dos problemas vivenciados pela população, que são inúmeros, a maioria dos brasileiros amanheceu aliviada nesta segunda-feira. Confiante que esse processo traumático e doloroso terá um fim satisfatório e positivo para a Nação Brasileira. O Brasil tem potencial para se recuperar, basta que o povo continue mudando de atitude, aprenda votar e exija dos seus governantes comportamentos éticos e republicanos. Mas para que isso ocorra é preciso primeiramente dar o exemplo.

29 mar by João Ricardo Correia Tags:, , , , , , ,

O acordo Cunha-Temer é o tributo do crime aos “movimentos anticorrupção”

TEMERECUNHA

*Por Kiko Nogueira

Se a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude, o acordo de Cunha com Temer para livrá-lo da cassação é o tributo do crime ao inocente útil que o colocou no poder.

Falo em inocente útil, mas, no final das contas, não se trata nem de uma coisa e nem de outra. O bando mal intencionado e desinformado usado pelos grupos que perderam a eleição em 2014 está tendo o que merece.

Toda a gritaria sobre corrupção, acompanhada por clichês como “cleptocracia” e velhacarias da Guerra Fria, fartamente insuflada e coberta pela mídia, caminha para a fraude anunciada.

A presidente que não cometeu crime será enforcada no Congresso por uma quadrilha implicada em lavagem de dinheiro, sonegação, fraude fiscal etc etc — mas uma quadrilha de branco, de bacana, de chefia.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, o combinado Cunha/Temer funciona assim: “Ele renunciaria à presidência da Câmara dos Deputados sob o argumento de que o novo governo precisaria articular nova maioria no parlamento. Seria suspenso pelo conselho de ética, mas manteria o cargo, garantindo o foro privilegiado”.

Com o filme queimado e líderes escorraçados de passeatas coxas, o PSDB desistiu de tentar destituir a chapa e apoia o vice Michel. A ideia, como frisou o relator do impeachment, deputado Jovair Arantes, é fazer um “pacto” com o Judiciário — leia-se abafar a Lava Jato.

Essas costuras não levam em consideração os russos. Não haverá folga dos movimentos sociais e de milhões de cidadãos que estão vendo seu voto ser jogado no lixo. O golpe é branco, mas a reação não será. Se a conspiração é transmitida em real time, a defesa da democracia também será.

E os “movimentos” contra os corruptos? E os donos do pixuleco? E os indignados que queriam “um Brasil mais limpo”?

O MBL, do anão moral Kim Kataguiri e associados, postou um avisou desesperado no Facebook: “A gente não fez tudo isso para você ir lá e votar na Marina”, diz o texto, sobre uma foto de um protesto.

Primeiro, é de se perguntar o que é “tudo isso”. Desenterrar idosos pedindo intervenção militar? Levar torturadores para a avenida, como Carlinhos Metralha? Bater em gente de camiseta vermelha? Usurpar os símbolos nacionais? Berrar “Vai pra Cuba”?

“Tudo isso” dá dimensão do grau de loucura desse pessoal. Eles colocaram os patriotas nas ruas!

Mas enfim os estúpidos caem na real: vai dar na porcaria da Marina, então? Usados pelos que se dão bem em qualquer situação há décadas, abriram um vácuo político — e em política, como dizia Ulysses Guimarães, não há vazio de poder.

Esse vácuo está sendo preenchido na vontade das pesquisas, hoje, por Marina Silva e Jair Bolsonaro, com Sergio Moro no banco de reservas. Ou o MBL queria proibir seus seguidores de votar em quem eles quisessem? Kataguiri e apaniguados vão enviar milícias à casa das pessoas, como fizeram com o filho de Teori Zavascki, para fiscalizar?

Não se sai impune de se conspurcar a democracia. Esses cúmplices do caos já estão pagando. E isso é uma parte pequena da conta que vai sobrar para todos nós.

 

Fonte: Diário do Centro do Mundo
*Kiko Nogueira é Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas

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