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1 abr by João Ricardo Correia Tags:, , , , , ,

O Waterloo de Sérgio Moro. Por Paulo Nogueira

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*Paulo Nogueira

O juiz superstar de quem ninguém ousava falar por ele parecer simbolizar a luta contra a corrupção ficou para trás. Em seu lugar emergiu a figura de um juiz partidário, descontrolado e sócio da Globo na aventura macabra de destruir a democracia pelas vias jurídicas.

Moro cruzou as fronteiras do tolerável ao impor a Lula um depoimento coercitivo sem qualquer propósito que não fosse produzir um espetáculo circense na mídia.

Foi aí que vozes insuspeitas de petismo ou esquerdismo começaram a questioná-lo fortemente, o que não ocorria até então. Começava o que em inglês se chama de backlash – o refluxo dos elogios a Moro.

O juiz Marco Aurélio Mello se destacou aí. Depois de explicar didaticamente a aberração cometida por Moro ao coagir alguém sem antes convidá-lo a depor, Marco Aurélio zombou da miserável justificativa apresentada pelo ofensor.

Moro afirmou que agiu para “proteger” Lula. “Este tipo de proteção eu não quero para mim”, disse ele. Brasileiro nenhum quer.

O segundo passo em falso de Moro veio dias depois, quando grampeou e vazou para a Globo conversas telefônicas de Lula, algumas delas com Dilma.

Mais uma vez, não houve motivo nenhum que não fosse o de provocar alarido e o de levar inocentes úteis a acharem que Lula cometera mais um crime.

Pouco tempo depois, o próprio Moro confirmou isso ao dizer que Lula parecia saber que estava sendo grampeado pelo teor dos áudios gravados.

O que Moro disse é que nada do que se gravou de Lula era incriminador. Ora: por que, então, divulgar? Para posar de herói, para constranger Lula, para ajudar no golpe, ou por todas estas alternativas?

Fico com a última hipótese.

A imprensa silenciou, como era de esperar. Mas o STF, pelas mãos do ministro Teori, deu um basta a Moro.

Chega, passou do limite, acabou a farra: foi este o sentido do gesto de Teori de retirar Lula das mãos, ou garras, de Moro e reprovar categoricamente os grampos.

Moro foi intimado a explicar a invasão telefônica por Teori, e apresentou um pedido de desculpas tão patético quanto o de Lobão para Chico.

O desprezo com que as “escusas”, para usar a palavra pomposa de Moro, foram recebidas ficou patente na sessão de ontem do STF.

Teori foi seguido por todos os seus colegas, excetuado Gilmar, que estava numa viagem em Lisboa por motivos golpistas.

Fora dos círculos jurídicos, o ator Wagner Moura – sem nenhuma conexão com o petismo – disse o que muitos pensam mas poucos ousam dizer. Moro, segundo ele, se comporta como promotor, e não como juiz. E parece não ter noção da monstruosidade que é se deixar fotografar ao lado de políticos do PSDB.

Numa palavra, Moro cansou. Deu.

O Moro tal como se tornou conhecido, um colosso do bem, está morto.

Começou o caminho de volta rumo ao que ele é: um juiz provinciano cuja visão de justiça é atacar um lado só.

 

* Jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial
do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo

SAIBA MAIS

A Batalha de Waterloo foi um confronto militar ocorrido a 18 de Junho de 1815 perto de Waterloo, na atual Bélgica (então parte integrante do Reino Unido dos Países Baixos). Um exército do Primeiro Império Francês, sob o comando do Imperador Napoleão (72 000 homens), foi derrotado pelos exércitos da Sétima Coligação que incluíam uma força britânica liderada pelo Duque de Wellington, e uma força prussiana comandada por Gebhard Leberecht von Blücher (118 000 homens). Este confronto marcou o fim dos Cem Dias e foi a última batalha de Napoleão; a sua derrota terminou com o seu governo como Imperador. (Wikipedia)

4 mar by João Ricardo Correia Tags:, , , ,

O significado das palavras de Lula na coletiva depois de depoimento

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Por Paulo Nogueira*

Quiseram matar a jararaca, mas bateram no rabo e não na cabeça.

Assim Lula terminou no começo desta tarde de sexta seu pronunciamento depois do interrogatório a que foi submetido pela PF na nova fase da Lava Jato.

Quem pensava que Lula estaria abatido se decepcionou.

Lula parecia cheio de fogo e de planos. Disse estar magoado, ofendido, ultrajado, mas ao mesmo tempo mais motivado que nunca para combater o combate.

Falava como um jovem sindicalista, e não como um septuagenário em busca de sossego.

Avisou que, a partir de agora, vai percorrer o país, como fez no passado. Não é uma boa notícia para a direita, evidentemente.

Você ouve Lula falar e vê a diferença brutal que o separa, em carisma, retórica e poder de convencimento, dos políticos da oposição que poderiam enfrentá-lo nas urnas em 2018.

Pense em Aécio, ou Alckmin, ou quem quer seja: é um profissional contra mirins.

O episódio de hoje pode ter sido um espetacular erro dos interessados no golpe. Em vez de derrubar o alvo, Lula e o PT, eles podem tê-lo inflamado e despertado.

Ficou claro, desde o início, a repugnância de largas fatias da população diante do grande propulsor do golpe, a Rede Globo.

No Twitter, a hashtag #ForaRedeGlobo era uma das mais concorridas. Viralizou a imagem de um tuíte em que o jornalista Diego Escosteguy anunciava euforicamente, no começo da madrugada da quinta, a operação contra Lula.

Escosteguy, de uma revista da Globo, provavelmente não se deu conta da gravidade do que seu tuíte revelava: o jogo combinado entre os Marinhos e a Lava Jato.

É a isso que leva a arrogância.

Ele quis se fazer de bonzão, de bem informado, e expôs seus patrões a uma situação constrangedora.

Vieram à mente as lembranças da Globo golpista de 1964. Mais de 50 anos depois, a empresa não mudou. Talvez tenha mudado o Brasil, e se o golpe não funcionar a Globo, que mamou nas tetas de dois governos petistas, possivelmente terá problemas sérios pela frente.

Sérios e, aliás, merecidos. Merecidíssimos. A Globo sodomizou o Brasil desde o início da ditadura, e já é hora desse abuso chegar ao fim.

Comentaristas da mídia defenderam o indefensável: a agressão a Lula. Uma das críticas mais frequentes foi que Lula politizou o caso.

Ora, ora, ora.

É claramente uma ação política. Eles queriam que Lula despolitizasse o ataque de que foi vítima?

Lula falou no seu triplex com uma mistura de humor e veneno. Se os Marinhos lhe cedessem a Paraty House, descansaria lá.

A maneira como as duas propriedades são tratadas é exemplar da politização da investida contra Lula.

Todos sabem que a Paraty House foi construída e desfrutada pela família Marinho. Mais especificamente, por Paula Marinho, filha de João Roberto, responsável pela política editorial da Globo.

O arquiteto chamou a casa de Projeto PM, de Paula Marinho. Uma especialista que trabalhou no paisagismo da casa disse ao DCM que a Paraty House é dos Marinhos.

E eles negam, com base em espertezas legais, e chegam ao cúmulo de ameaçar sites como o nosso.

É uma casa criminosa, além do mais: infringe a legislação sem nenhuma cerimônia.

Mas sobre isso ninguém faz nada. A PF finge que o problema não existe, e não seria de espantar se Moro já tivesse se hospedado nela. (Atenção: é uma mera especulação.)

Em compensação, os humildes pedalinhos de Atibaia são objeto de uma investigação brutal.

Esta diferença é o símbolo do Brasil — em que a plutocracia pode tudo, incluído aí derrubar governantes que não se ajoelham diante dela.

 

*Paulo Nogueira    
Fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

 

Fonte: Diário do Centro do Mundo

24 out by João Ricardo Correia Tags:, , , , ,

Paulo Nogueira: A lição de antijornalismo do Estadão no caso Haddad

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E as fofocas políticas devem se concentrar em Haddad (FOTO) neste final de semana por conta do artigo do Estadão que afirmou que ele cogita sair do PT e ir para a Rede de Marina.

Em política pode acontecer tudo, naturalmente.

Haddad desmentiu prontamente no Twitter, mas mesmo isso pode não significar tanto assim.

Agora.

O que é indiscutível, no caso, é o jornalismo miserável do Estadão.

Você lê e não encontra uma única fonte citada. É o diz-que-diz no estado mais puro e abjeto.

Se conheço redação, o texto deve ser fruto da pressão que os jornalistas enfrentam para produzir coisas contra Lula, Dilma e PT.

É o vale tudo.

Você pode literalmente inventar qualquer coisa. Desde que seja contra os inimigos da mídia, não haverá consequências.

Um dia algum acadêmico do jornalismo haverá de compilar as falsas notícias sobre Lula, Dilma e PT saídas nos últimos anos.

Durante a campanha, foram copiosas aquelas que apontavam uma ruptura entre Dilma e Lula. Muitas matérias deram como certo também que Lula concorreria à presidência no lugar de Dilma, em chocante contraste com declarações cabais de Lula.

O repórter e o editor, sabendo o que se espera deles, vão afrouxando seu rigor. E podem perfeitamente inventar fontes e outras coisas do jornalismo miserável.

Isso não se faz com amigos dos barões e de seus prepostos. Produza alguma coisa desconfortável a Aécio ou a FHC e você terá que contar sua fonte para os chefes.

Batata, como gostava de escrever Nelson Rodrigues.

No meio dessa cruzada antipetista, quem se dana mesmo é o leitor, aquele ser ingênuo que acredita que jornais e revistas só publicam verdades.

Os desdobramentos da matéria do Estadão são absolutamente previsíveis.

O site da Veja colocou na primeira página a notícia, sem ressalva nenhuma. Para o leitor da Veja, Haddad cogita sair do PT. Ponto. Não havia sequer o “segundo o Estadão”.

É uma coisa engraçada a Veja. Quando uma delação atinge um amigo, por exemplo Eduardo Cunha, a revista se cerca de cuidados extremos ao noticiar.

Fulano afirma, de acordo com Sicrano, e por aí vai.

Quando a vítima é do PT, a forma de escrever é completamente diferente. O delator revela.

Parece piada, mas há muito tempo a Veja é mesmo uma piada em forma de revista. Bem como o Estadão.

No texto sobre Haddad, o Estadão afirma que ele tem se reunido até com FHC para decidir seu futuro.

É difícil acreditar que alguém como Haddad vá se consultar com FHC, símbolo do reacionarismo golpista.

O que ele poderia ouvir que prestasse de FHC?

E de Marina?

A imagem de Marina, perante o eleitorado progressista, que é o de Haddad, ficou seriamente manchada pelo beija mão dado nela por Aécio no segundo turno em retribuição a seu surpreendente apoio.

O apoio a Aécio custou um preço alto a duas pessoas: Eduardo Jorge, que virou nada depois daquilo, e Marina.

Haddad, caso saia do PT para beijar as mãos de Marina, corre o risco de ser visto como um político oportunista, mais preocupado com ele mesmo do que com um projeto de sociedade.

Mas repito: em política tudo pode acontecer. Marta não se filiou ao PMDB em nome do combate à corrupção às vésperas de estourar o escândalo de Eduardo Cunha.

Isto dito, não parece fazer nexo o movimento de Haddad sugerido pelo Estadão.

O certo é que mais uma vez o Estadão mostra por que se tornou conhecido entre os paulistas como o túmulo do jornalismo.

Fonte: Diário do Centro do Mundo
*Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

16 abr by João Ricardo Correia Tags:, , , ,

Vaccari preso e Perrela solto. Por Paulo Nogueira

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Tento me situar nas redes sociais em torno do caso de Vaccari (FOTO), o tesoureiro do PT preso hoje com o habitual alarido pela Polícia Federal em mais um capítulo da Lava Jato.

Digito Vaccari, no Twitter, e dou no jornalista da Globo Jorge Bastos Moreno.

Num espaço de 140 caracteres, que é de um tuíte, Moreno julgou e condenou em rito sumário Vaccari.

E ainda se dispôs a dar uma advertência tonitruante aos petistas. “Quem, no PT, defender o agora réu e presidiário Vaccari merece o desrespeito, a indignação e a infâmia de toda a sociedade!”, escreveu Moreno.

Um detalhe que me chama a atenção é o ponto de exclamação, um recurso típico de redatores com escasso domínio da prosa.

A primeira tentação é dizer: “Calma, Moreno. Você anda lendo muito o Globo. Vai dar tudo certo.”

Mas meu ponto não é este.

No arroubo de Moreno vejo uma característica que nos últimos anos, por uma ação conjunta da Justiça e da imprensa, lamentavelmente parece ter-se incorporado aos brasileiros.

Passou a ser normal você, como Moreno, condenar sem julgamento e sem provas. Essa anomalia, se já existia antes, se manifestou com intensidade no Mensalão — e, agora, é parte do jogo no chamado Petrolão.

O ímpeto condenatório é seletivo, isso precisa ser notado. Vale, especificamente, contra o PT.

Aécio pode fazer o que quiser – construir um aeroporto em terras da família para uso privado, colocar a irmã numa posição em seu governo que permitia a ela alimentar as rádios da família de dinheiro público, ser citado por um delator como dono das propinas oriundas de uma diretoria numa estatal e por aí afora.

Não vai lhe acontecer nada. A amizade que ele cultivou com os coronéis da mídia lhe garante, como certos protetores solares anunciam, blindagem 24 horas por dia.

E então você tem a seguinte situação: para a Justiça brasileira, alguns são mais iguais que os outros.

Numa manifestação de franqueza brutal, um deputado do PSDB acusado de delinquências disse, pouco tempo atrás, que como não era do PT não seria preso.

Até a Folha, dos coronéis Frias, admitiu num editorial que a Justiça é benevolente diante do PSDB.

Mas sigo em minha pesquisa sobre a prisão de Vaccari.

Dou num artigo do Estadão e paro nele, pela contundência do título. “Lava Jato aponta enriquecimento ilícito de Vaccari e familiares”.

Vou ler.

Como as denúncias na Lava Jato sempre giravam em torno de muitos milhões, e às vezes até bilhões, tenho uma expectativa de encontrar cifras expressivas.

O Estadão dá números relativos a uma filha de Vaccari, Nayara, médica.

Entre 2008 e 2013 – seis anos portanto – o patrimônio de Nayara cresceu de 240 mil para “mais de 1 milhão”.

Quem lida com texto sabe que “mais de um milhão” é muito, mas muito pouco mesmo além do milhão.

Falamos em coisa de 660 mil reais de crescimento patrimonial em seis anos. Cerca de 100 mil reais por ano, e não ponho aqui sequer o que Nayara ganharia se simplesmente colocasse os 240 mil reais de então numa aplicação que rendesse bons juros.

Não tenho, evidentemente, detalhes do patrimônio da filha de Vaccari. Mas as quantias que envolvem suas posses são absolutamente miseráveis para o padrão Lava Jato. São migalhas diante de um banquete romano.

Essencialmente, as cifras não fazem sentido.

Quem se dispõe a desviar dinheiro para contas pessoais dificilmente vai por no bolso trocados caso lide com uma enxurrada de milhões.

Desisto de entender o caso, depois de mais algumas horas de pesquisa.

Suspeito que Moro, como Barbosa antes, tenha gostado de ser objeto dos holofotes e das manchetes, e que se empenhe – conscientemente ou não — por dar um caráter de espetáculo para suas ações.

Antes de partir para o assunto, leio um tuíte que faz refletir mais que todas as matérias que encontrei no caminho: “Perrela livre e Vaccari preso.”

 

*Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo

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