Tiros que mataram soldado PM atingem cada um dos cidadãos potiguares

19 set by João Ricardo Correia

Tiros que mataram soldado PM atingem cada um dos cidadãos potiguares

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O assassinato de mais um soldado PM, como o ocorrido nesta sexta-feira à noite em Parnamirim(RN), é outro sinal que a bandidagem continua vencendo a guerra. E não vemos nenhuma ação organizada da nossa classe política contra isso, bem diferente quando se une para tratar de assuntos ligados à economia, a investimentos financeiros.

Matar um pai de família na frente da sua mulher é atirar contra cada um de nós, cidadãos e cidadãs que trabalhamos, pagamos nossos impostos e não temos nossos direitos garantidos pelo governo.

Independente de quem ou qual partido esteja no poder, a Segurança Pública e seus agentes nunca foram valorizados. Nunca. São tratados como profissionais, digamos, “comuns”, quando não são. Esses homens e mulheres são lembrados pelos governantes somente quando promovem greves, mobilizações, acampamentos, demonstram publicamente suas dificuldades. Aí, vem o “cala boca”, a ajuda de última hora, a reunião com muito cafezinho e sorrisos para as redes sociais.

Sempre foi assim. Como repórter, já redigi dezenas de matérias sobre tema, ouvindo os dois lados, sentindo a revolta nas palavras dos servidores apunhalados e a frieza insensível no que diziam os governantes. E aqui no Rio Grande do Norte há anos, muitos anos, que os policiais civis e militares não recebem o tratamento a que têm direito. Geralmente, têm superiores muito bem relacionados com a politicagem, com interesses nas eleições, estariam, segundo fontes do colunista, de olho em algum serviço que pudessem prestar em grandes eventos, mesmo que para isso indicassem “testas de ferro”. Sempre tem algum “chefão” abraçado com figurinhas carimbadas da “sociedade”.

Os tiros que atingiram o PM em Parnamirim também ferem nossa dignidade. Nos deixam ainda mais inseguros, temerosos.  A vida de um policial tem o mesmo valor da vida de qualquer homem de bem, seja ele um favelado sem emprego ou um grande empresário.

O mais grave é a forma como aconteceu o assassinato, numa abordagem cedo da noite, quando o policial e sua mulher tinham acabado de estacionar o carro. Os dois marginais chegaram em uma moto. Um deles tirou o PM do carro e o eliminou na calçada, mesmo sem ele ter reagido. E ainda passaram alguns minutos revirando o veículo e fugiram tranquilamente, deixando a mulher desesperada pedindo socorro. Uma cena lamentável, que não foi a primeira e não será a última. Mais: a próxima vítima pode ser eu, você, nossos filhos, nossos pais, enfim, qualquer um de nós.

Por onde andam nossos políticos, principalmente deputados federais e senadores, numa hora dessa? Se escondem! Quando é para tratar de assuntos relacionados a dinheiro, se abraçam, se reúnem, viajam, pedem audiências, promovem audiências públicas, fazem discursos inflamados.

Nas últimas semanas, o assunto que tanto une nossos “representantes” é o tal Hub da Latam. Antes, foi a Copa do Mundo de 2014. Quando os primeiros litros d’água da transposição do Rio São Francisco escorreram, lá foram alguns políticos, quase desembestados, correndo para a foto. Não duvido da importância do Hub. A Copa deixou algumas obras importantes em torno da Arena das Dunas Marinho Chagas. Mas prefiro a luta pela vida.

Mas qual o motivo que os deputados federais e senadores não se unem, com a mesma determinação (inclusive com destaque na publicidade), com o mesmo interesse para cobrar ações em prol da Segurança Pública? Será que é porque quase todos já passaram pelo governo, direta ou indiretamente, por meio de parentes? Será que não têm mais a cara de pau para fazer as mesmas promessas? Falta pulso para tecer críticas aos antigos adversários e hoje aliados de primeira hora?

Enquanto o povo continua sendo assassinado, assaltado, violentado, enfim, aterrorizados pelos marginais, nossos representantes continuam muito bem, obrigado.

E se algum deles preferir culpar as leis, a falta de vagas nos presídios, ora essa, é só uma questão de ação, afinal  contas tudo “isso” que está aí não é obra do Divino, mas, sim, culpa de um bando de irresponsável travestido de político.

Se a bancada federal não se mobiliza, que os deputados estaduais o façam. Ou também preferem a inércia regada a cafezinho, água mineral e suquinho?

A sociedade precisa de ação. Chega de conversa mole, de projetinho para ser aprovado em véspera de eleição, de bate papo na internet.

ByJoão Ricardo Correia

Formado em Comunicação Social pela UFRN. Experiências profissionais em rádio, jornais, TV, informativos virtuais e assessorias de imprensa. Editor geral do Portal Companhia da Notícia.

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