Uma questão de estilo define o que não muda

 

Quando era o secretário de Planejamento do governo Wilma de Faria (PSB), Vagner Araújo tinha o gabinete mais bonito do governo. Colocava o da então governadora no chinelo. Ali, Araújo recebia empresários e fazia articulações institucionais para promover o estado junto a segmentos econômicos interessados em investir aqui.

Com o Centro Administrativo caindo aos pedaços – como a rigor ainda está – o gabinete de Vagner  exalava prosperidade e acolhia o estilo de seu dono muito bem. Um secretário sempre muito alinhado em seu ternos e que jamais perdia tempo, sempre dedilhando no seu Smartphone, enquanto o motorista o levava para algum compromisso.

Vagner era o que existia de moderno numa administração às voltas com os mesmos problemas que assolam a gestão atual, mas que na época dele tinham um certo charme de desafio a ser vencido. É claro que nada foi vencido e os mesmos problemas da era Wilma fixaram residência definitiva no governo Rosalba, até de forma mais decidida, tipo “daqui eu não saio” .

Bem, na época em que Vagner era o fenômeno diferente do governo Wilma, o governo Lula lançou o Programa de Aceleração do Crescimento, tendo como coordenadora a então Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. O lançamento da primeira edição do PAC aconteceu  no dia 28 de janeiro de 2007. Imediatamente, Vagner urdiu o que seria uma descarga de adrenalina no governo de sua chefe que inciava a segunda gestão ao derrotar aquele que era considerado o “governador de férias”, Garibaldi Alves.

Nascia, em 24 de março de 2007, dois meses depois do lançamento do PAC federal, a Agenda do Crescimento do Rio Grande do Norte, uma forma criativa de distrair os críticos do governo e manter viva a esperança de um estado prestes a ingressar nos trilhos do desenvolvimento. E você sabe, a esperança é aquela que nunca morre e vive presente no imaginário dos sabidos e dos tolos.

Vagner Araújo ficou tão fascinado pelo PAC do Brasil que inventou uma “paczinho” para o RN e chegou ao requinte de ir atrás de um software em Brasília para acompanhar em tempo real os investimentos do programa criado para transformar Dilma Roussef no que ela é hoje: a presidenta do Brasil.

Pois bem, o PAC deu cria, investiu menos que se esperava, mas continua por ai dando cria como uma coelha desvairada. Já a Agenda do Crescimento revelou-se o mais notável factoide de que se tem notícia, com os seus R$ 15 bilhões, depois R$ 20 bilhões de investimentos públicos e privados que colocariam este estado na vanguarda da economia do Nordeste.

Como se sabe, não é o que aconteceu e hoje respondemos pelos piores indicadores da região, tanto no que diz respeito a evolução da infraestrutura, que não foi nenhuma, passando pela política de investimento  estrangeiro, inovação e por ai afora.

A novidade nesse museus repleto de quinquilharias  é que a atual administração de Rosalba Ciarlini só não promete mais do mesmo porque a governadora preferiu a discrição de Um Obery Rodrigues, um especialista em reconhecer as dificuldades financeiras, a um Vagner Araújo, o último bom contador de histórias.